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CURRÍCULO
Paulo Sérgio BEJu, nasceu no Monte/Funchal a 23Jul1971
Incursão no teatro (1991-1999); Licenciatura em Artes Plásticas – Vertente Escultura (1998), Professor QND, disciplina de EVT(1999); Docente de Expressão corporal e dramática; Coordenador de Serviço Educativo – MAC – Forte de S. Tiago, Funchal (2001-2004); Pós-Graduação em Direcção Artística (2003); Gestão Cultural na Casa da Cultura de Câmara de Lobos; 1.º ano Curso de Mestrado em Arte e Património – No Actual e Contemporâneo;Curadoria de Exposições. EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS verme.lho – Centro Cultural Edmundo Bettencourt, Funchal – DRAC/SRTC, ARTES PLÁSTICAS Dez2002; NaCl.aridade – Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos , ARTES PLÁSTICAS Nov2003; olharlobos – Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Caniço, Santa Cruz, FOTOGRAFIA Abr2009 EXPOSIÇÕES COLECTIVAS fotoGRAFAR CÂMARA DE LOBOS – Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos FOTOGRAFIA Out2007; conceito estreito – Casa da Cultura de Câmara de Lobos, Câmara de Lobos, INSTALAÇÃO Out2008; LINHA DE PARTIDA – CENTRO DAS ARTES, CASA DAS MUDAS, INSTALAÇÃO Fev2009; conceito estreito 2 – Centro Civíco do Estreito, Câmara de Lobos, INSTALAÇÃO Abr2009; Artes de Engenho – Engenho de Cana-de-açucar, Calheta, INSTALAÇÃO Jun2009, VIAGEMaoCORAÇÃOdosPÁSSAROS – Casa da Cultura, Câmara de Lobos, INSTALAÇÃO Dez2009 PINTURA MURAL: “SEMANA DAS ARTES” – Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol (07Mai2008); “DIA DAS EXPRESSÕES” - EB1.º,2.ºe3.º Ciclos/PE – Prof. Francisco S. Barreto – Fajã da Ovelha (25Jul2009) PRÉMIOS E DISTINÇÕES Ago1990 2.º PRÉMIO DE CARTAZ (Concurso de Prosa, Cartaz e Fotografia) Comemorações do DIA DA CIDADE DO FUNCHAL, CMFunchal - Medalha de Prata; Jun1991, 2.º PRÉMIO DE CARTAZ (Concurso de Prosa, Cartaz e Fotografia), DIA DA REGIÃO, SER/RAM; Mai1992 PRÉMIO Símbolo de Matemática, ESCOLA SECUNDÁRIA Dr. ÂNGELO AUGUSTO DA SILVA; Fev1994, VENCEDOR da 1.ª Edição do PRÉMIO “Juventude e Defesa Nacional” 94, Modalidade colectiva de Teatro – “Sanguis Lusitanus”, Grupo de Teatro “O Comboio”, ESDr.AAS, DRJ/SRAPC-RAM/Ministério da Defesa Nacional, Auditório daRDP/M, Funchal, Mar1994, PRÉMIO Melhor Encenação – “Sanguis Lusitanus”, Grupo de Teatro “O Comboio”, ESDr.AAS, II Festival de Teatro Escolar, ESJaimeMoniz, Funchal; Fev1996, VENCEDOR da 3.ª Edição do PRÉMIO “Juventude e Defesa Nacional” 96; Modalidade colectiva de Teatro – “Almas Lusas”, Grupo de Teatro “Vale dos Amores”, EBSCalheta; DRJ/SRAPC-RAM/Ministério da Defesa Nacional, Auditório daRDP/M, Funchal; Jun1996, 1.º PRÉMIO do Concurso de Poesia, Comemorações do DIA DA CIDADE – ABRANTES; Dez2005, 1. PRÉMIO do 4.º Concurso de Artes Plásticas Casa das Mudas/Prémio Henrique e Francisco Franco, Presidente do Júri – Curadora Isabel Carlos, Centro das Artes – Casa das Mudas, Calheta; Set2007, MENÇÃO HONROSA no 5.º Concurso de Artes Plásticas Casa das Mudas/Prémio Henrique e Francisco Franco, Presidente do Júri – Crítico de Arte ALEXANDRE MELO, Centro das Artes – Casa das Mudas, Calheta
César (sopro cardíaco) PAULOSÉRGIOBEJuGALERIADOSPRAZERESABRIL/MAIO2010
arde-me
dispenso o corpo, o efémero. puxo, solto de dentro ou de qualquer lado o perene. coisa real. lenta e minuciosamente a esferográfica na minha mão constrói suas representações. para além do espartilho de uma mão ou de um pé. rabiscos soltos entreabrem vislumbres da essência. surgem monstros que trago comigo, de dentro para fora, de aqui para lá. asfixio no meio. sossego no tracejar vazio, no mar e nas estrelas. mais ainda nas filhas. soltam-me qual arvore amarrada. no cansaço extremo agarro a mão e o braço que vem de tão perto e elevo-me. para onde?
Sérgio Benedito (sopro cardíaco) PAULOSÉRGIOBEJuGALERIADOSPRAZERESABRIL/MAIO2010
Deve ser porque a natureza da alma se faz sentir, por vezes de forma atribulada, que os dias em que o sol brilha, se vivem com maior vigor, e a luz veste-se de uma poesia há tanto desejada.
Deve ser por isso, também, que o coração bate mais desordenadamente no encalce do tempo e que a sofreguidão dos corpos se espelha na ternura dos olhares, que se dissolvem no emaranhado das horas… na ausência do corpo.
Deve ser por isso, ainda, que o coração se bate na impossibilidade de se sentir vivo, de poder ser metáfora de si mesmo, de se poder libertar dessa natureza condicionada, desvirtuada, desatenta. De poder ser. Coração. Sopro.
Deve ser por isso, de resto, que a realidade nos comove até à exaustão de nós mesmos, e que os corpos se dissolvem no nada dos gestos que não são, nunca o foram e nos deixam assim, plantados nessa expectativa do sentir. Nessa necessidade de respirar.
Mas, é também nessa natureza danificada, que a vida decorre, muitos dias, sem sobressaltos, e onde o sol faz crescer os dedos e abre nos corpos as bocas sedentas de ar e nos comove até ao infinito de nós, fazendo sempre com que os nossos pés percam as talas que tantas e tantas vezes nos aninham na noite do tempo. É preciso esse ritmo cadenciado, esse batimento constante, esse embalar uterino que nos devolva à condição primeira de olhar o mundo pela primeira vez. Como na outra primeira vez. E daí o sopro. E daí a vida. E daí a arte. Essa porção fundamental de ar que nos anima e nos faz querer renovar o que de velho permanece em nós.
Deve ser por isso, então, este coração feito sopro, ou sopro feito coração. Esta natureza condicionada, danificada, luminosa, por fim. Este corpo que se dissolve num tanto de poesia visual, de palavras mordentes da condição primeva de sentir. Deste sorrir que se entrega na demanda da mão, feita boca. Deste sentir, que precisa desse batimento cadenciado e único
Por tudo isto, arde-me neste olhar a arte do porvir. Chove-me, neste sentir a urgência do germinar. Ama-me neste bater a entrega do sentir.
SUSPIRO, série flores cardíacas, 2010,fotografia da autoria de Zyber Chema.
Silvia Lopes (sopro cardíaco) PAULOSÉRGIOBEJuGALERIADOSPRAZERESABRIL/MAIO2010
O que é o REAL? REAL não é a forma como somos feitos. É o que se sente no acontecer. O CORPO é matéria feita de músculos e órgãos na obra de BEJu. O CORPO é pesado, forte, ágil ou leve.
O CORPO descobre-se noutros corpos e matérias. No SOLO que pisa. Na FORÇA das mãos que puxam. No ABANDONO das mãos que se perdem. O CORPO inclina-se. CAI. LEVANTA-SE. Petrifica-se. Desliza. Na quietude escuta a CHUVA. Dos pés solta-se o som da TERRA. O CORPO É O PESO DAS COSTAS. O CORPO É QUÍMICO. ENERGIA. Dos olhos libertam-se asas atraídas por outros corpos. O CORPO é PELE. Lençol elástico e impermeável, feito de nervos de sensibilidade fina, de receptores de densidades e texturas várias. Tecido de ramificações sensíveis e teias de músculos e órgãos em emaranhados de LUZ-SANGUE. CORPO EPIFANIA. Na exterioridade e na respiração com OUTROS CORPOS. Moléculas voláteis, subtis e inconscientes emanadas do CORPO de OUTRO, atravessam os GESTOS e o sentido do EU. Emoções viscerais fazem incisões, rasganços obsessivos.
Mágoa do sentido. Ferida da leitura do EU. O CORAÇÃO ESTREMECE.
Um rio de sangue vermelho inunda o cérebro de neurotransmissores. EXALTAÇÃO . EUFORIA. Espantosa infinitude sentida no casulo trémulo do SER. Fragilidade do CORAÇÃO. Músculo estriado particular, controlado pelo cérebro hipotalâmico e límbico primitivo, somatossensorial e frontal, que, num campo de batalha de paixões , corpo animado de um pesar doloroso, anseia a paz no rumor da natureza e do horizonte longínquo. DESEJO natural (fugaz) do INFINITO. O (SOPRO CARDÍACO) é o outro discurso dos CORPOS. Nos Encontros Breves. A realidade é irrelevante.
Paulo Sérgio BEJu (sopro cardíaco) PAULOSÉRGIOBEJuGALERIADOSPRAZERESABRIL/MAIO2010
As minhas esferográficas servem de bisturis (não cortantes) e operam numa escrita de experiências humanas e artísticas. Os motivos da natureza caem sobre o papel, a requerer uma não flor, não folha, um distinto fruto ou bichos – formando paisagens de um aparelho dramático, interno – referente ao sensório e à emoção. Esbatem-se as disciplinas do desenho e da pintura – conexas – a caneta redescobre o movimento consoante o pneuma do lugar e as memórias do olhar. Arquitecta-se um complexo organismo – volume/escultura - que bordo e colo, descrevendo o que me afecta no passar dos dias. O pintor Júlio Pomar diz que nunca emprenhou pelos ouvidos, mas sim pelos olhos. Os meus suportes bidimensionais estabelecem um contrato com o olhar, na medida em que medeiam o plano pictórico com o condor de um desejo poético procurando a sedução do espectador.
O sopro no coração apresenta-se como uma anomalia no aparelho cardíaco e a exposição (sopro cardíaco) estabelece um parêntesis num percurso anómalo - ensaio de Princípios de Verdade ou Vontade. Divago sobre aquilo que devo comunicar, sobre a importância da «fala» e da arte que se constrói, das suas funções e (in)utilidades. Concepções e ideias já anteriormente tratadas, reanimadas pela maturação das mãos que vêem e o corpo oculta. A corporalidade dos objectos têm por orientação estruturas simples – a cor, a mancha, a luz, o espaço e o movimento – no desdizer do amor, das relações, das partilhas e das coisas que deixamos e imprimimos no Outro. Sinto que a arte é lógica se nos permitir pensar e estremecer a alma através de uma superfície táctil.
Creio que criando, presentifico um universo ancestral. Exercito um respirar depurado sobre o mundo que me rodeia, numa acção do domínio terapêutico. Uma nuvem paira sobre a pele, escondem-se os sinais do tempo, e quase esquecemos a essência do toque. O meu espaço cutâneo destina-se a uma morada feita também de Céu. Este projecto gerou-se pela estranha forma de Estar no mundo, e Ser nos dias que correm, um apaixonado: pela música que nos faz chover (…por dentro), pelo ardor da luz no entardecer, pelo cinema que discorre das veias, pelo teatro da carne humana falando e pelas vozes dos artistas que falam no sublime.